sexta-feira, 24 de setembro de 2010
Sempre me disseram que: “um dia a gente perde e um dia a gente ganha”. Percebi que para algumas pessoas é: ‘um dia a gente perde e muitos dias a gente ganha’ e para outras pessoas: vice-versa*. Advinha em que lado me enquadrei? Ou melhor, em que lado a vida me enquadrou. O verbo é PERDER. Está no infinitivo? ok. Sei soletrar: P-e-r-d-e-r. ‘Silabar’: Per-der. Colorir: Perder. Mas nunca aprendi direito a conjugar: Eu perco, perdo…. Algumas vezes tentei substituí-lo pelo verbo ficar. Pela pergunta: Você me deixa ficar? Outras vezes por: Fique! Aliás: FIQUE!!!! Perder faz o mundo se avessar, mostrar a costura, os fiapos, o desbotado, ‘o que não deve ser mostrado’. E tem dias que a gente não está muito a fim de criar, de ‘modelar’, nem de ‘estilizar’. E nesses dias – não tão criativos, modistas e nem estilizados – depois de virar na cama a noite toda, não estando toda (completa) e de pensar que é preciso dormir, mas que fechar os olhos apenas não é suficiente e após levantar novamente (pela é… perdi a conta, só sei que é sempre depois do: ‘ levantar de novo’ e ‘levantar outra vez’) a gente percebe que isso não faz bem para a pele e que pó de arroz também não adianta muito – ela está seca e áspera, e que a noite mal dormida também não faz bem para os olhos, para o corpo e para a alma. Por que, acima de tudo, perder dói. Daí já é verbo demais em uma frase – perder e doer. Perder tira presença, sentimentos e também coisas. Perder também traz lembranças. Lembra ausência; Falta; Não ter; Não poder. Lembra quase, mas também pra sempre. Lembra poderia ter sido. Lembra metade, que muitas vezes soa vazio. Lembra também novidades sem poder contar, sem poder ligar, sem poder mandar e-mail. Lembra tantas coisas, mas ‘outras coisas’, que de tão boas parecem presença e sentimentos juntos. Então se tiver que ser (que perder), que seja aos poucos, seja cotidiano, seja costume, seja adaptação. Que os muitos ‘perder’ que a vida me deu, (deu para mim e para as ‘outras pessoas’) mesmo que estejam juntos, somados ou multiplicados nunca consigam se igualar ao ganhar que faz o mundo ‘desavessado’, colorido, espelhado. Ou melhor, um mundo que espelha, que reflete, reflete singulareS iguais a um plural.
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